A Colina Escarlate – visualmente encantador, mas faltou ritmo à história

Pôster do Filme. Foto: Divulgação
Pôster do Filme. Foto: Divulgação

Assim que vi a divulgação de A Colina Escarlate, o que mais me impressionou e motivou a ver o filme foi a magia que emanava da sua estética visual. Eu me senti como se apreciasse uma pintura rica em detalhes e que ainda tinha movimentos. Quando assisti ao trailer e me ambientei com o enredo, minha vontade de assistir ao filme aumentou ainda mais, pois achei que a história seria impressionante, tanto pela ótima premissa quanto por ser dirigida por Guillermo Del Toro.

O problema é que devo ter ido com expectativas demais ao cinema e não encontrei tudo que esperava.

Para quem quiser ter uma ideia de porque o filme me impressionou inicialmente, pode conferir o trailer abaixo:

Bom, como vocês puderam ver no vídeo, A Colina Escarlate fala de uma jovem escritora, chamada Edith, que desde pequena tem algum contato com fantasmas, tanto que a história que ela quer escrever tem o sobrenatural no enredo. Ao se apaixonar por Thomas Sharpe, dono de uma bela mansão na qual vive com a irmã, Edith casa-se com ele e muda-se para a casa que fica na Colina Escarlate. Nessa mansão os fantasmas estão ainda mais presentes e um perigo iminente parece rondar a vida de Edith.

O cenário do filme é incrível, assim como o figurino. Tudo é feito com uma riqueza de detalhes, com cores contrastantes e tons vivos, sendo impossível perder a vontade de apreciar cada cena na tela.

Salão de entrada da mansão. Foto: Divulgação
Salão de entrada da mansão. Foto: Divulgação

As imagens que mostram o salão de entrada da mansão conseguem captar ao mesmo tempo a decadência e a beleza do lugar, criando um clima um tanto surreal. O figurino é exuberante, extremamente rebuscado (típico do fim do século XIX e início do século XX), mas harmonioso. A cena em que Edith está com um vestido amarelo vivo no meio do cenário cinza da região da mansão é um contraste incrível (pena não ter encontrado uma foto decente para mostrar para vocês).

A iluminação também não deixa a desejar, existe o tom sombrio e obscuro, mas nunca o cenário nunca fica completamente apagado e as cores sempre são valorizadas dentro dele. Quanto ao design dos fantasmas (que aparecem muito durante toda a história), eles têm uma estética diferente do que estamos habituados e a aparência é realmente assustadora, provocando desconforto em quem assiste.

Edith explorando a mansão. Foto: Divulgação
Edith explorando a mansão. Foto: Divulgação

Em relação à história, a ideia é perfeita e o problema foi a forma como ela foi trabalhada ao longo do filme. Quando vi o trailer, percebi a narrativa como uma história de terror, porém com o desenvolvimento do enredo nos damos conta que ela é um romance gótico, com elementos de horror, drama e fantasia.

A questão de querer mesclar tantos elementos num filme só, fez com que nenhuma das 04 áreas do filme convencessem de verdade (diferente do que aconteceu quando Del Toro dirigiu o Labirinto do Fauno). Com o desenrolar da história e os fantasmas aparecendo cada vez mais, eu não conseguia mais ter medo deles (apenas um desconforto com a aparência) e, em algumas partes, a situação beirava o cômico.

Um dos pôsters do filme. Foto: Divulgação
Um dos pôsters do filme. Foto: Divulgação

A parte do romance e do drama poderiam ter sido muito mais exploradas. A história continha pontos profundos que só descobrimos no final do filme e que foram resolvidos de uma vez só. Esses mesmos pontos poderiam ter sido dilatados por todas as cenas anteriores, causando muito mais suspense do que só a questão dos fantasmas.

A atuação dos atores também não me ajudou a “comprar” a história. Mia Wasikowska, que interpretou Edith, permaneceu linear durante quase todo o filme, não existindo grandes expressões emotivas. Tom Hiddleston interpretou um Mr. Shape consistente no papel de um homem misterioso e submisso, mas nada de extraordinário. Quanto à Jessica Chastain como Lucille, irmã de Thomas Sharpe, sua atuação foi a melhor dos três. Ela foi sombria, manipuladora e transmitia temor no expectador. Charlie Hunnam que interpretou o Dr. Alan, amigo de Edith teve uma atuação meio perdida na história, aparecendo somente em alguns momentos.

colinaescarlate
Tom Hiddleston e Jessica Chastain como Mr. Sharpe e Lucille respectivamente. Foto: Divulgação

O desenrolar de A Colina Escarlate foi perdendo o ritmo e tudo acabou ficando repetitivo, um exemplo foi Edith andando pela casa em vários momentos praticamente iguais, era como se tivessem pego uma cena e dessem “ctrl+c” e “ctrl+v” várias vezes, rsrsrs. Outro ponto inverossímil foram as partes finais da história, foi difícil acreditar ser verdade que uma pessoa mesmo depois de um grave acidente continuasse com disposição para enfrentar uma nevasca e sair correndo. Além disso, um dos fantasmas do final foi elaborado de forma muito

O começo do filme seguiu a falta de profundidade da história. O clima de atração entre Edith e Thomas Sharpe era superficial (isso até melhorou ao longo do enredo), e para uma personagem que buscava estar à frente do seu tempo, Edith se comportou bastante como uma donzela deslumbrada.

Mr. Sharpe e Edith dançando a valsa. Foto: Divulgação.
Mr. Sharpe e Edith dançando a valsa. Foto: Divulgação.

Ainda sobre o romance dos dois personagens, apesar de toda a superficialidade inicial, uma cena que gostei bastante foi a da valsa entre Thomas e Edith. O momento refletia delicadeza e imaginação e a trilha sonora contribuía lindamente para compor a ambientação da cena.

Por fim, algo que foi bem trabalhado durante todo o filme foi a questão da fantasia. Nesse ponto o diretor conseguiu construir uma ambientação perfeita, pois a história toda remete a algo ligado a sonhos ou, melhor dizendo, pesadelos. Você consegue vivenciar e respirar o ambiente do lugar.

Pôster do filme. Foto: Divulgação
Pôster do filme. Foto: Divulgação

Também existe um lirismo muito expressivo na parte da cenografia e fotografia. Ou seja, é um prazer assistir ao ambiente criado em torno da Colina Escarlate, porém olhando mais de perto, podemos achar isso tudo oco, exatamente pela falta de sustentação da história.

Bom, espero que vocês tenham curtido o filme que trouxe no dia de hoje e se forem assisti-lo nos cinemas (ou já tiverem visto) comentem aqui. Beijos e continuem acompanhando o blog!

Anúncios

2 comentários sobre “A Colina Escarlate – visualmente encantador, mas faltou ritmo à história

  1. Quero muito ver o filme, mas já imaginava desde a primeira vez que vi o trailer, que seria algo mais “parado” e no estilo “a noiva cadaver” hahahhaa o que quero dizer com isso é, um “terror” meio gótico-drama-romance!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s