Os Três – história promissora, mas perdida em sua estrutura

Foto: Bárbara Valdez
Foto: Bárbara Valdez

Fazia muito tempo que Os Três estava na minha wishlist de leitura. O livro foi escrito por Sarah Lotz e publicado pela editora Arqueiro no ano passado.

A premissa da história é muito interessante e despertou minha curiosidade imediatamente, além do ótimo comentário de Stephen King sobre o enredo: “[…] Muito instigante, impossível parar de ler”. Então quando tive a oportunidade de comprar um exemplar, não pensei duas vezes.

Vamos à história!

Os três

Bom, antes de detalhar meus comentários, quero dizer para vocês que me decepcionei com o livro e toda aquela expectativa com que iniciei a leitura foi morrendo aos poucos e quando cheguei ao fim da história não existia mais nenhuma empolgação.

O livro fala de um acidente, na verdade, quatro acidentes de avião que ocorreram quase que simultaneamente em diferentes partes do mundo (Japão, Estados Unidos, Inglaterra e Índia) e onde milagrosamente três crianças conseguiram sair ilesas dos desastres. Uma quarta pessoa, Pamela Donald, também sobreviveu à queda, mas só teve tempo de gravar a mensagem abaixo pelo celular antes de não resistir aos ferimentos e morrer.

[…] O menino. O menino, vigiem o menino, vigiem as pessoas mortas, ah, meu Deus, elas são tantas… estão vindo me pegar agora. Vamos todos embora logo. Todos nós […].

Com a sobrevivência das três crianças e a mensagem deixada por Pamela, uma série de acontecimentos começa a se desencadear no mundo, indo desde fanatismo religioso sobre o Fim dos Tempos até conspiração política e alienígena. Será que as crianças tiveram apenas sorte ou elas deixaram de ser humanas em algum momento do acidente?

O tema central do enredo é embasado exatamente nas especulações sobre os três sobreviventes, buscando criar ansiedade no leitor sobre que mistério esconde-se nas crianças. E para tentar passar isso com mais veracidade, a narrativa do livro não é contínua, nem feita por um único narrador; ela é construída como um documentário, onde existem relatos de várias pessoas ligadas aos acidentes, matérias de jornais, conversas na internet, entre outras coisas, tudo em forma de recortes.

Os Três

Todos os recortes e depoimentos estão dispostos como se fizessem parte de um livro chamado “Quinta-Feira Negra: da queda à conspiração”, ou seja, quem lê Os Três está lendo um livro dentro de outro livro. Eu achei muito interessante esse estilo de narrativa, ele deu uma velocidade inicial à história e foi possível analisar a perspectiva dos acidentes por vários ângulos diferentes com a impressão de diversas pessoas.

Alguns passagens me deixaram bastante emocionada com a dor dos personagens, como os relatos de Lillian, avó de Bob (uma das crianças sobreviventes). Já outros relatos criavam um clima de tensão e ansiedade, como os de Paul, tio de Jess (que também sobreviveu à queda do avião).

Foto: Bárbara Valdez
Foto: Bárbara Valdez

O ponto é que com o passar da narrativa, os relatos foram se desgastando e algumas passagens tornavam-se cansativas e redundantes. Além disso, aquela expectativa inicial de que algo ia ser revelado sobre Os Três ficou somente na expectativa. Quanto mais eu lia, mais ia percebendo que nada acontecia de verdade, tudo ficava ambíguo e relativo, aberto a interpretações.

A sensação que tive foi que a autora foi esticando o enredo e perto do final da história ainda não tinha se posicionado de verdade sobre as crianças, então teve que tomar uma decisão às pressas. E é nesse momento que ela tenta fazer a história ficar mais sombria. O problema é que eu já estava tão descrente da narrativa que não consegui sentir mais nenhum medo ou ansiedade nesses momentos finais.

Quanto às questões de toda teoria da conspiração envolvendo os acidentes, acredito que esses pontos foram bem trabalhadas no livro e eu consegui ver que aquilo realmente poderia acontecer na vida real; como é fácil para o mundo entrar em colapso quando as pessoas se deixam levar por especulações de fenômenos que não compreendem.

Com o fim da leitura, minha conclusão final é exatamente o que coloquei no título deste texto: a ideia do livro é boa, a estrutura narrativa também, mas a autora parece ter se perdido no decorrer da história, ficando indecisa sobre que posicionamento tomar sobre as três crianças. Isso fez todo o enredo perder a credibilidade e a essência da história.  

Para quem quiser ter uma ideia melhor sobre Os Três, pode acompanhar o book trailer abaixo:

Espero que vocês tenham gostado da resenha. E quem sabe se lerem Os Três também gostem da história, independente do que eu achei.

Super beijo e hoje termina nossos livros exclusivos do Halloween. Aguardem novas histórias!!!!

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2 comentários sobre “Os Três – história promissora, mas perdida em sua estrutura

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