A Morte é Legal tem um tom divertidamente dramático

A Morte é Legal. Foto: Bárbara Valdez
A Morte é Legal. Foto: Bárbara Valdez

Gente, estou muito feliz em trazer hoje para vocês uma história publicada pela Editora Draco, parceira do blog, e mais ainda pelo livro ter um enredo diversificado, englobando fantasia, romance e drama.

A Morte é Legal é do autor Jim Anotsu e foi lançada em 2012 pela Draco. O livro me chamou atenção de imediato pelo nome e pela capa divertida, mas quando comecei a ler a história me dei conta de que seu conteúdo podia tornar-se mais profundo do que aparentava, sendo permeado por um humor ácido em vários momentos. 

E então, que tal entrarmos no mundo da Morte?

A história tem como ponto central a aventura vivida por Andrew e Ive, dois jovens completamente diferentes: ele é um mortal que age sem ânimo nenhum de viver e ela é a filha mais nova da Morte, uma garota de mechas verdes que está louca para aproveitar a vida. Apesar das diferenças paradoxais, eles se unem para tentar achar 3 objetos que representam os nomes de um gato extremamente poderoso e que pode realizar qualquer tipo de desejo.

Nessa busca, os dois vão para reinos encantados, lutam contra feiticeiros e descobrem a si mesmos. Eles se tornam amigos e até mais do que isso, porém nem tudo é tão simples e uma história que lida com a morte não pode ser doce demais.

Como imagino o gato preto da história. Fonte: internet
Como imagino o gato preto da história. Fonte: internet

Com desenrolar da aventura pude perceber que a história ia a cada instante tornando-se mais profunda. A narrativa de Jim começou extremamente divertida, com vários comentários engraçados e lúdicos, mas a medida que os eventos avançaram isso deu lugar a um humor ácido e a alguns momentos realmente tristes e até angustiantes.

Gostei bastante dessa forma do autor de trabalhar a história, pois assim o livro não se tornou bobo e nos fez refletir sobre algumas questões relacionadas as consequências de nossas escolhas, ao amadurecimento e à decepção.

Um dos personagens que teve a maior carga dramática do enredo foi o feiticeiro Astophel, o qual buscava salvar a vida de sua esposa, Stella, e ao mesmo tempo sua própria vida. No final do livro ele percebeu que nem sempre nossos desejos se realizam do jeito que queremos e as consequências disso são dolorosas.

Como seria Astrophel. Fonte: Worldwake | Jason Chan.
Como seria Astrophel. Fonte: Worldwake | Jason Chan.

A relação entre Andrew e Ive passou por alguns momentos clichês, mas teve um desenrolar que eu não esperava e que particularmente não gostei. Não pelo resultado em si, mas porque achei que os personagens agiram de forma passiva diante da situação.

De todo o livro, uma das personagens que achei mais interessante foi Amber, a irmã mais nova de Andrew. Ela é uma adolescente apaixonada por rap (por sinal o livro traz várias referências musicais do estilo, como Nas, Tupac, Rakim, etc.) e que está sempre com seu melhor amigo, Jonas, criando composições musicais. O ponto alto dessa personagem é a forma dela vivenciar as situações e o aprendizado que a mesma teve durante a narrativa.

Esse é um dos álbuns de rap mais comentados no livro. Illmatic, do rapper Nas.

A Morte é Legal traz muitas passagens tristes que remetem à perca da vida. Esses momentos acontecem de repente, a exemplo de como pode ser no cotidiano, quando alguém acredita ter toda a vida pela frente e no instante seguinte algo acontece e a essência vital da pessoa se esvai. Essa forma de trazer uma visão lúdica para a questão da morte, mas ao mesmo tempo conseguir ter profundidade no que significa morrer ou viver foi o ponto alto do livro para mim.

Quanto à história em si, eu realmente não gostei tanto, mas nesse caso isso é uma questão pessoal, pois não consegui me conectar aos personagens de modo geral e mais do que isso, não consegui me identificar com a narrativa. Quando gosto de um livro eu me sinto dentro da história e em A Morte é Legal era como se eu acompanhasse os acontecimentos à distância, sem realmente me importar com o que ia acontecer em seguida.

Ive tem algumas mechas verdes no cabelo, então eu acho que isso combina com ela. Fonte: intenet
Ive tem algumas mechas verdes no cabelo, então eu acho que isso combina com ela. Fonte: intenet

Talvez essa minha falta de conexão tenha ocorrido por causa de algo que me incomodou muito durante todo o livro: a forma de organização dos capítulos. O autor resolveu a cada vez focar a narrativa em um personagem diferente e isso quebrou demais o ritmo da história.

Existem momentos no livro em que os capítulos terminam no clímax de uma cena e o capítulo seguinte entra por um caminho completamente diferente. Então a medida que eu lia, o que visualizava eram quase que pequenos contos e não uma unidade narrativa e isso me deixou muito irritada.

Em relação a esses “pequenos contos”, existem vários elementos interessantes neles, sejam reinos encantados, perseguição por ratos falantes, monstros que roubam pensamentos ou conversas com demônios. Então quem gosta de fantasia, vai curtir bastante esses detalhes.

FRASES DO LIVRO:

Fonte: Internet

“Você é maluca, doida como uma beterraba!”

 “Levante e brilhe, estrelinha, vamos a uma sorveteria! – Tenho alguma outra opção? – Sim. Morrer. – É sempre bom conhecer pessoas abertas ao diálogo.”

Fonte: internet

“Lamento te informar, a pessoa que você ama irá te desapontar e te destruir.”

A morte é legal

“Apenas a morte permitia que se tornassem pessoas individuais e autênticas.”

Bom, quem quiser ler a história pode encontrar o livro no site da Draco ou na Livraria Saraiva. Super beijos e espero que tenham gostado de conhecer uma perspectiva diferente sobre a morte.

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