Joyland – “nós vendemos diversão!”

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Capa de Joyland. Foto: Bárbara Valdez

O primeiro livro que li de Stephen King foi Joyland e posso dizer que essa experiência não me decepcionou em nada e correspondeu a todas as críticas positivas que existem sobre o autor.

O comentário que está na capa do livro é uma citação do Entertainment Weekly, a qual considera a história “profunda, divertida, cheia de reviravoltas, despretensiosa e, por fim, arrasadoramente triste”. Eu não entendia como um livro podia ser tantas coisas assim ao mesmo tempo, mas enquanto lia Joyland senti exatamente cada uma dessas nuances.

O livro de King é uma história que foi diferente do que eu esperava quando comprei o exemplar. Havia me preparado para uma aventura de terror ou mesmo de suspense e o que encontrei foi uma narrativa mais nostálgica e com um quê de sobrenatural, mas este último é só um detalhe diante de todos os outros aspectos que o livro aborda.

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Parque na Carolina do Norte. Foto: Reprodução | Internet

O enredo é contado em primeira pessoa por Devin Jones, um homem adulto que relembra o “outono mais bonito” da vida dele quando tinha apenas 21 anos.

[…] a vida nem sempre arranca nosso couro. Às vezes, ela oferece verdadeiros prêmios. Às vezes, são preciosos. (P. 185)

A forma como o personagem descreve suas aventuras e desventuras nos faz criar um ligação intensa com a narrativa e encaramos aquele rapaz como o amigo que queremos conhecer e passar um tempo conversando na praia de Heaven’s Bay, um dos cenários principais do livro.

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Pier e casa verde na praia da Carolina do Norte. Foto: Reprodução | Internet

Para quem é fã de parques de diversões (como eu sou demais!), ler Joyland é um prazer ainda maior. A história tem como pano de fundo o parque que dá nome ao título e Devin vai trabalhar no lugar no início das férias de verão ao lado de brinquedos como a icônica roda gigante (com o nome de Carolina Spin, no livro), o carrossel e todo o universo colorido que emana diversão. Além disso, é interessante ter uma ideia de como são os bastidores dos parques.

O livro conta como Dev (apelido do personagem) chega à Joyland, as amizades que faz, as novas experiências e sua iniciativa despretensiosa em tentar desvendar o assassinato de Linda Gray, ocorrido no trem fantasma do parque anos atrás e que, dizem, deixou o brinquedo assombrado.

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Trem fantasma. Foto: Reprodução | Internet

No caminho da narrativa conhecemos personagens cativantes, como Erin e Tom, que também trabalharam no parque; o pequeno Mike, de uma vivacidade além de qualquer impedimento físico; Annie, a mãe deste último garoto, fechada, doce e que teve um papel chave no clímax do livro.

Quanto ao clímax, ele foi bem indesperado, mas o que impressionou mais, na minha opinião, não foi a surpresa e sim o modo como já estávamos apegado ao personagem naquela situação. A narrativa não o colocou como uma pessoa a parte, mas como alguém com quem se criou vínculos. É isso foi triste, mas também deu sensibilidade a história.

Mesmo quando as lembranças machucam, é difícil esquecer. Talvez seja ainda mais difícil quando machuca. (P.111)

A única coisa que me incomodou um pouco em Joyland foi a capa. Vejam só, eu achei lindo o design, mas acho que ele transmite uma sensação de tensão diferente da que vivenciamos no livro. Pela arte da capa sentimos uma velocidade de suspense no ritmo de Agatha Christie, mas Joyland não é um livro veloz, ele é como um passeio feito na Carolina Spin, feito para ser apreciado lentamente.

Eu coloquei, para quem quiser ouvir, a playlist abaixo com algumas das músicas que são muito citadas durante todo a história de Joyland. Então, entrem no clima!






Joyland foi publicado no Brasil pela Editora Objetiva, sob o selo da Suma de Letras, em 2015 e está à venda na Livraria Cultura e na Saraiva.

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5 comentários sobre “Joyland – “nós vendemos diversão!”

  1. Nelson Gomez

    Excelente resenha Bárbara! Sou um apreciador antigo do King. Já li alguns de seus clássicos, como o Iluminado, O Cemitério, O Nevoeiro, etc. Posso dizer que o cara é muito bom! É realmente viciante as suas obras, não é à toa que que já foi adaptadas inúmeras vezes para o cinema, sendo aclamado muitas vezes (vide O Iluminado, um clássico!). Recomendo muito seus livros de contos, como Tripulação de Esqueletos e Ao Cair da Noite. King tem uma habilidade incrível também para escrever contos. Quanto à capa do livro, eu tenho que discordar do seu ponto de vista…. Achei ela muito criativa e inteligente. Se você analisar bem, na história ele diz que o assassino de Linda Gray dá um “passa-fora” grosseiro numa Garota Hollywood (retratada na capa). Então, fica implícito a intenção do desenho de simular a situação sob a perspectiva do assassino, ou seja, como se o leitor estivesse tendo a visão do assassino naquele momento! Simplesmente genial! Espero que King continue nos presenteando com seu talento por muitos anos ainda, afinal o cara é fera! Abraço!

    PS: Muito bacana o lance das músicas citadas no livro, valeu! 😉

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi Nelson. Obrigada pelo teu comentário (ele foi super completo)! 🙂 Agradeço também pelas indicações de outras obras de King. Como expliquei, Joyland foi meu primeiro livro do autor e, com certeza, fiquei interessada em ler mais coisas dele agora.
      Na questão da capa, achei super interessante teu ponto de vista, realmente eu não tinha imaginado a perspectiva da ilustração pelo ângulo do assassino. Muito massa! Apesar de que, pra mim, continuo não gostando muito da ligação capa-livro, mas aí é uma questão pessoal mesmo, tem relação com o que eu senti quando vi a capa e com o que senti quando li o livro, que me remeteram a emoções diferentes.
      Espero que você continue acompanhando as resenhas aqui e também espero logo em breve poder resenhar outro livro de King. Super beijo!

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  2. Pingback: Blog Achando Histórias – Barbara Valdez

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