Sr. Holmes – reinterpretando um personagem

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Foto: Bárbara Valdez

Primeira resenha de 2016! Olá pessoal, antes de começar falando da história de hoje, quero desejar mais uma vez um super início de ano e que todas as metas que prometemos em dezembro se cumpram nesse ano. 🙂

Para os apaixonados pelo universo que permeia as aventuras do famoso detetive Sherlock Holmes, o livro Sr. Holmes, escrito por Mitch Cullin, traz esse personagem inserido numa outra perspectiva, como um senhor de 93 anos que não está mais no auge de suas conquistas.

A edição foi publicada pela Editora Intrínseca em 2015 e tem vários comentários positivos de jornais internacionais na contracapa. A história também serviu de inspiração para o filme Sr. Holmes, estrelado por Ian Mckellen, cujo trailer está logo abaixo. Inclusive a capa do livro da edição da Intrínseca é baseada no filme e apesar de não ser muito fã desse tipo de capa, achei que essa trouxe uma simplicidade e beleza sóbria ao exemplar.

Eu não lembro exatamente como conheci o livro Sr. Holmes, mas já fazia um tempo que o exemplar estava na minha lista de desejos (mais ainda porque queria ver o filme, mas não sem antes ler a história original), porém quando finalmente terminei a leitura, ela não me encantou tanto quando eu gostaria. Na verdade achei o enredo monótono e sem algo realmente cativante para impulsionar a narrativa.

Mitch Cullin nos traz uma história que mistura três períodos temporais diferentes: o momento atual de Holmes enquanto idoso e vivendo numa casa em Sussex, interior da Inglaterra; um passado recente, quando o detetive fez uma viagem ao Japão; e por fim, um passado distante, revivido por meio de lembranças de um caso específico resolvido na época da sua juventude.

A memória é como a fibra da existência de alguém. P.189

Esses três momentos são trabalhados em apenas 235 páginas e intercalados entre 22 capítulos. É bem fácil para o leitor situar-se em cada um dos períodos e a alternância temporal faz com que a história fique menos cansativa. Ao mesmo tempo, pela pouca extensão do livro, cada passagem é tratada com “pinceladas”, sem uma efetiva profundidade.

 O Holmes atual leva uma vida pacata, dedicando-se à apicultura e tendo uma relação de grande amizade com Roger, um garoto de 14 anos, filho da governanta. As cenas que enfatizam esse período nos mostram o detetive de maneira mais humana, com falhas, medos e suscetível às ações do tempo como todo mundo.

Enquanto estava ali, meus olhos percorrendo aquelas janelas do passado e as do presente, dei-me conta de que algo me escapara […]. P. 90

Nos momentos no Japão Sherlock Holmes está sempre em companhia do Sr. Umezaki, um amigo que o admira bastante e que busca algumas respostas sobre seu próprio passado.

Já as lembranças das aventuras dos tempos áureos do detetive são focadas em um único caso, o qual é nomeado de “A Harmonicista de Vidro”. Esse momento é o que tem um pouco mais de ação no livro, já que o leitor é impulsionado pela curiosidade em descobrir o mistério aparente da história. Mesmo assim, a aventura não tem vida e posso pensar que o autor quis passar uma ideia de algo mais cotidiano, onde as aventuras não possuem o floreio da ficção.

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Vista do mar e das falésias de Sussex, Inglaterra. Fonte: wallpapers.mi9.com

Algumas passagens em Sr. Holmes são tristes e você consegue avaliar por quantas perdas o personagem já passou ao longo de toda a sua existência.

Em outras palavras, sobrevivi a tudo que me definia. P.201

Dentre os pontos negativos, senti que o texto tem algumas passagens confusas. Não sei se foi erro de tradução ou é a própria forma de escrever do autor, mas alguns momentos ficaram ambíguos e eu não sabia que personagem exatamente estava falando (isso foi contribuído pelo uso frequente dos pronomes “seu” e “sua”, os quais podem mesmo gerar certa confusão).

Também senti falta de resoluções mais contundentes em cada uma das situações apresentadas. Como falei anteriormente, tudo foi mostrado com pinceladas, alguns pontos ficaram sem respostas e outras questões foram finalizadas de forma abrupta. Ou seja, tudo foi muito simples demais. Essa forma de trabalhar a narrativa transmitiu a sensação da vida real mais direta e até monótona, para o caso de um idoso. Porém não me prendeu enquanto leitora e como o próprio Holmes fala no livro: “[…] até um relato fiel deve ser apresentado de modo que entretenha o leitor” (P.29) e pra mim isso não aconteceu.

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Foto: Bárbara Valdez

Apesar de não ter gostado de livro como um todo, ele tem suas partes positivas. É realmente interessante ter a história de Sherlock Holmes reinterpretada do modo que foi; esse é um dos poucos casos em que o personagem principal de uma história é uma pessoa idosa. De modo geral, percebo que o universo ficcional (seja literatura, cinema, dança, etc.) não valoriza muito essa etapa da vida e isso acaba criando uma lacuna no imaginário popular.

A narrativa também é leve e fácil de ler. Assim, quem quiser ter uma nova perspectiva sobre as aventuras de Sherlock Holmes e ao mesmo tempo quiser fazer uma leitura rápida, ler Sr. Holmes vale a pena. O exemplar está sendo vendido na Livraria Saraiva e na Estante Virtual (que foi onde comprei o meu).

-Você é Sherlock Holmes? Não, eu não acredito.

-Está tudo bem. Eu mesmo quase não acredito. P. 13

 Beijos e aguardem mais histórias.

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5 comentários sobre “Sr. Holmes – reinterpretando um personagem

  1. Eu acho bom quando a narrativa é mais leve, mesmo em livros mais ~intensos~. Mas confesso que, quando o livro começa a ficar monótono, meu desespero vai aumentando e acabo deixando de lado e lendo outro. E fico naquela “depois eu termino, depois eu termino…” hahah 😦
    De qualquer forma, adoro o jeito que resenhas 🙂 sempre bem detalhado!
    Beijo, e bom 2016!!! ❤️

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi Letícia! Eu acho legal narrativas leves, mas nesse livro de Holmes, ela passou de leve pra lenta rsrsrs.Ainda bem que ele era curtinho, aí não corri o risco de adiar! Mas essa foi minha sensação, talvez outros leitores curtam o livro!
      Ah, e fico super feliz que você goste dos textos das resenhas :), sei que você já acompanha o blog há um tempo aqui.
      Beijão e bom começo de ano pra você também!

      Curtido por 1 pessoa

  2. Pingback: Leituras de janeiro/2016 | Achando Histórias

  3. Izabela Cavalcanti

    Bárbara, adorei sua resenha e fiquei super curiosa para ler o livro, mesmo você falando que é meio monótono( hehe), particularmente, amo os romances de Sherlock Holmes e histórias de detetives em geral. 🙂

    Curtido por 1 pessoa

    1. Que massa que tu gostou da resenha, Izabela. Quanto à Sherlock Holmes, eu também curto bastante o universo de aventuras do detetive, por isso tinha ficado super interessada em ler esse livro. Caso você consiga acompanhar a história de Sr. Holmes espero que tenha uma experiência mais legal do que a minha.
      Beijo. 🙂

      Curtir

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