Samba – uma obra cheia de sutilezas

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Charlotte Gainsbourg e Omar Sy em cena de Samba. Fonte: recantoadormecido.com.br

Depois de um certo tempo venho trazer mais uma história relacionada a filmes aqui no blog. “Samba” foi produzido na França, em 2014, e tem como estrelas principais a atriz Charlotte Gainsbourg, cuja última atuação foi em Ninfomaníaca, e o ator Omar Sy, que fez o ótimo filme, Intocáveis.

Eu gosto bastante de obras cinematográficas francesas, de modo geral elas trabalham as histórias mais calmamente, sem a necessidade de bombardear o espectador com uma série de acontecimentos inesperados, o que é uma característica marcante de Hollywood.  Em “Samba” temos uma mistura de romance com o aspecto conturbado atual em torno da imigração que ocorre em Paris e nas demais cidades da França.

Como não tenho um conhecimento aprofundado nos aspectos políticos e nem em como está a relação imigratória na Europa atualmente, vou me ater à análise sobre unicamente o que vi no filme, sem fazer comparações sobre se isso ou aquilo foi bem retratado ou não.

“Samba” conta a história do personagem homônimo, Samba Cissé, que é senegalês, vive há 10 anos na França, mas é pego pela imigração e corre o risco de ser deportado. Para trabalhar com esses casos de imigrantes existe uma ONG, na qual trabalha Alice, uma mulher que passou por um momento conturbado na sua função como empresária de sucesso e precisou tirar um período de licença para dedicar-se a outras coisas.

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Cena do filme. Fonte: http://www.valentinamag.com

Com duas pessoas em momentos críticos da vida pessoal, o filme se desenvolve em um clima de tensão sutil no qual nenhuma relação acontece de imediato. É interessante ver como os personagens são construídos de modo verossímil, todos têm falhas, são egoístas às vezes e nem sempre estão prontos para superar problemas.

Os vínculos de amizade também são enfatizados e mostram-se essenciais para se conseguir encontrar um pouco de alegria quando tudo o mais no seu cotidiano parece estar desgastado. Apesar disso, as relações apresentadas ao telespectador não são inabaláveis, muito menos perfeitas e, em alguns casos, o que começa como amizade pode acabar em tragédia.

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Wilson e Samba. Cena do filme. Fonte: veja.abril.com.br

A questão da imigração não é aprofundada em aspectos técnicos. Os diretores, Olivier Nakache e Éric Toledano (responsáveis também por “Intocáveis”), colocam a questão sob a perspectiva do imigrante e dão um pincelada sobre como a situação impacta a vida dessas pessoas (vistos falsos, dificuldade de conseguir trabalho e de se encaixar na sociedade, medo de ser abordado pela polícia). Porém isso é o suficiente para transmitir as dificuldades enfrentadas.

O romance mostrado no filme não é arrebatador, a relação é construída lentamente, em meio a erros e acertos. É interessante a forma como Alice e Samba começam a interagir: hesitação, explosões de raiva, amizade. Tudo passa a ideia de algo mais palpável, sem grandes floreios.

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Samba e Alice. Cena do filme. Fonte: cultura.estadao.com.br

Mesmo com vários momentos de tensão e drama, o filme também é recheado de partes cômicas, criadas para dar uma leveza à narrativa. Alguns dos momentos mais engraçados estão relacionados ao medo de Samba por altura e essas cenas sempre ocorrem junto do brasileiro Wilson (interpretado por Tahar Hakim). A química da amizade entre os dois durante a atuação também é ótima.

Os momentos relativos à ONG de ajuda aos imigrantes também são bem engraçados. É muito divertido ver os funcionários e a população tentando se comunicar em questões burocráticas tendo língua e costumes diferentes.

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Pôster do filme Samba. Fonte: www2.dti.ufv.br

Além da história em si, “Samba” tem uma trilha sonora impecável, trazendo referências de canções de vários países, como Brasil, Estados Unidos, Itália e Jamaica. No entanto, senti falta de composições francesas de maior destaque, mas talvez a ideia dos diretores tenha sido exatamente enfatizar as referências externas na França. Acompanhem no player abaixo algumas das composições (uma das que mais gostei foi “To know is to love you”, tocada no fim do filme):




Com o fim da obra cinematográfica ficamos com a sensação de que, às vezes, mesmo com as adversidades você ainda pode encontrar um momento feliz na sua vida.

Espero que vocês tenham gostado da história de hoje. Ficaram com vontade de ver o filme ou já assistiram? Comentem aqui em baixo. Super beijo.

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