O Demonologista – em que você acredita?

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Uma história de fé, mas não a fé em anjos ou deuses, fé em quem está do outro lado da batalha, os demônios. Essa é a premissa do livro O Demonologista, escrito por Andrew Pyper e publicado pela editora Darkside Books no ano passado.

Às vezes, os monstros são reais. Mesmo se eles não se parecem com monstros. P.141

Já fazia certo tempo que estava ansiosa para ler esse texto, além do mais ele está apresentado em um belo exemplar, com o cuidado que a editora sempre trata seus livros. Porém mesmo com uma temática de suspense que prende o leitor e citações bem trabalhadas, o livro, infelizmente, não correspondeu às minhas expectativas.

O Demonologista tem como protogonista David Ullman, professor da Universidade de Columbia, em Manhattan, e especialista nos personagens “negros” presentes em diversos textos de cunho religioso. Sua maior dedicação é para com o poema Paraíso Perdido, escrito no século XVII pelo inglês John Milton e que trata a queda de Adão e Eva do Paraíso pela perspectiva de Lúcifer (Satã).

Muitas passagens desse poema antigo estão inseridas por toda a história de Pyper. Achei que foi uma ótima postura da Darkside e da tradutora Cláudia Guimarães incluírem notas de rodapé trazendo o texto na versão original em inglês, pois elas tornam o exemplar brasileiro mais completo.

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A mente é onde eles habitam, e nela podemos fazer do inferno um paraíso, do paraíso um inferno. P. 20 (Livro 1 de Paraíso Perdido)

O livro mostra como David, depois de ser contactado para um “trabalho” em Veneza, vê sua vida modificar-se completamente. Suas crenças, antes de uma pessoa ateísta, passam a ser questionadas, reconstruídas em todos os níveis e ele começa a acreditar em coisas que achou nunca serem mais do que palavras em textos.

A partir de então a narrativa acompanha a luta do personagem para descobrir o que os demônios querem dele, pois parece que David está destinado a testemunhar algo e registrar isso para o mundo. Ao mesmo tempo ele precisa resgatar sua filha, Tess, de um lugar sombrio, uma espécie de limbo antes que ela definitivamente entre no inferno.

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Talvez sejam sombras emprestadas de quem já viveu e morreu. Talvez o Inominável esteja limitado a habitar as peles daqueles que estão no inferno. P. 108

Apesar do texto ser dinâmico e prender o leitor fazendo-o querer saber o que acontece na página seguinte, senti que, de certa maneira, a narrativa era superficial. As coisas simplesmente ia sendo apresentadas pelo autor, uma após a outra, mas nenhuma das passagens eram trabalhadas a fundo. Um exemplo foi o perseguidor que apareceu na vida de David. Não soube-se ao certo quem ele era ou para quem estava trabalhando em nenhum momento do texto.

Outro ponto que poderia ter mais conteúdo era os diálogos. Tinham passagens que pareciam “conversa fiada”, elas não diziam nada realmente importante e também não eram eficazmente elaboradas para tornarem-se misteriosas. A conversa entre David e a personagem da Mulher Magra poderia muito bem ter sido descrita por meio de narrativa em 3ª pessoa e não em formato de diálogos.

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Por causa dos pontos que considerei negativos não consegui me conectar com a história nem achá-la surpreendente, era apenas mais do mesmo que vemos em muitas narrativas que trabalham com céu e inferno. Apesar disso, gostei bastante de como o Andrew Pyper inseriu o texto de Paraíso Perdido dentro da sua própria narrativa, foi um trabalho hábil que deve ter exigido bastante conhecimento. Inclusive fiquei com vontade de ler o texto completo de Milton.

Outra coisa muito bem trabalhada foi a parte gráfica do livro. Ao longo do exemplar e nas folhas de guarda existem várias ilustrações (mostradas nas fotos aqui da resenha) que remetem ao ambiente de caos, solidão e tristeza construído em torno do que se considera inferno. Essas imagens enriqueceram a história, transmitindo um clima gótico que faz o leitor imergir mais na aventura.

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Para quem gosta de livros de suspense que trabalhem o sobrenatural e questões religiosas, O Demonologista é uma boa pedida, mesmo com as falhas que senti na narrativa. E uma boa notícia para os apreciadores de filmes de terror é que o livro já está sendo adaptado para telas de cinema com produção de Robert Zemeckis, que  dirigiu De Volta para o Futuro e Forest Gump.

Não palavras que saem da minha boca atravessando o ar, mas que saem do meu coração atravessando a terra, para que nós dois possamos ouvi-las. ENCONTRE-ME

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Eu estava na internet e escutei esse música do Bright Eyes chamada “No One Could Riot for Less”. Achei que tanto a melodia como a letra (a tradução está aqui) combinavam muito com o livro. Então coloquei aqui para quem quiser escutar. Um beijo a todos!

Perguntem a si próprios. Para onde vocês irão agora que o Éden foi deixado para trás? P. 18

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