“Quarto de Jack” é uma produção primorosa

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Jacob Tremblay e Brie Larson como Jack e Joy, respectivamente, em cena do filme. Foto: Universal Pictures | Reprodução.

Ser sequestrada, ficar trancada durante anos num quarto minúsculo, sofrer abusos regulares, ter um filho, criar um ambiente feliz para a criança, transformar o quarto no universo dele. O Quarto de Jack traz uma história forte, passa uma sensação sufocante e reveste tudo isso na relação de amor entre mãe e filho, narrando os acontecimentos pelo olhos de Jack, um garoto de cinco anos.

Adaptado do livro da irlandesa Emma Donoghue, publicado no Reino Unido em 2010, O Quarto de Jack é uma história tocante de superação, força e inocência. O filme foi dirigido por Lenny Abrahamson, deu o Oscar de Melhor Atriz para Brie Larson – numa interpretação impecável de Joy, mãe de Jack – e ainda foi indicado para Melhor Filme, Diretor e Roteiro Adaptado.

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Jack em cena do filme. Foto: Universal Pictures | Reprodução.

O enredo é dividido basicamente em dois momentos. Na primeira parte vemos Joy e Jack apenas dentro do quarto. Eles comem, brincam , assistem TV, é o universo deles, quebrado apenas pelos momentos em que o sequestrador aparece. No entanto, nenhum abuso sobre Joy é visível para telespectadores, assim como não é visível para Jack.

Depois o foco muda para o mundo real, com os dois já resgatados pela polícia, se readaptando a vida cotidiana (isso não é spoiler, pois o próprio trailer mostra essas partes). Aqui existem traumas, julgamentos  e recomeço.

O diferencial da história na abordagem de um sequestro está em ancorar-se em dois pontos principais: o vínculo entre mãe e filho, além da inocência infantil mesmo diante de situações extremas. Brie Larsson e Jacob Tremblay (que interpreta Jack de forma impressionante) têm uma conexão perfeita em cena e isso foi essencial no filme. Ela mereceu o Oscar e Jacob devia ter recebido uma indicação também.

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Joy e Jack em cena do filme. Foto: Universal Pictures | Reprodução.

Algo que deu muita veracidade ao Quarto de Jack  foi a forma não idealizada que permeou a relação materna. O trailer nem mostra muito isso, mas no filme vemos cenas de birra de Jack, o descaso de Joy em alguns momentos e todos os problemas que existem no vínculo entre os dois, mas isso ressaltou toda a força da história.

Outro ponto para a obra está ligado ao enquadramento de câmera. É incrível ver como ela captou o quarto de forma maior enquanto aquele era o único local que Jack conhecia e no final do filme, depois que ele vê o mundo, a câmera mostra o quão claustrofóbico era o lugar. A sensação de alguém viver ali por tanto tempo é angustiante.

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Joy presa no quarto. Cena do filme. Foto: Universal Pictures | Reprodução.

O Quarto de Jack trabalha o relacionamento humano, não apenas entre Jack e a mãe. Existem outras questões, como a readaptação de Joy a vida cotidiana e seus sentimentos confusos pela família ter continuado a viver sem a presença dela. Também é tratado rapidamente a rejeição a uma criança fruto de um estupro, já que o avô do menino não consegue aceitar o neto. Essa parte, porém poderia ter sido um pouco mais explorada.

Quanto a Jack, é incrível ver toda a história pelos olhos dele. A alegria que ele consegue sentir dentro do quarto, o medo de aceitar mudanças e a surpresa quando um novo universo se apresenta diante dele.

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Joy e Jack. Foto: Universal Pictures | Reprodução.

O filme também tem uma grande carga de suspense. Mesmo com as informações prévias de que mãe e filho conseguem fugir do quarto, nós, enquanto telespectadores, ficamos na expectativa de como eles vão escapar dali.

Acompanhem o trailer da história:

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2 comentários sobre ““Quarto de Jack” é uma produção primorosa

  1. Ana Roberta

    Eu gostei bastante do filme mas acho que poderiam ter desenvolvido mais cenas deles vivendo no quarto e ter terminado o filme quando eles se libertassem. Ao meu ver as cenas após a libertação deles poderiam ser dispensáveis, já que não houve uma boa exploração delas.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi Ana!
      Eu entendo o que tu quer dizer, mas a proposta da história era justamente criar essa transição no mundo de Jack e não apenas retratar a descoberta de um crime ou a libertação de um cativeiro. Acho que se eles estendessem mais a parte do quarto correria o risco da produção ficar monótona, porque a ideia era mostrar a rotina de mãe e filho ali e eles conseguiram fazer isso. Já a parte pós cativeiro trazia muito isso da readaptação. Achei super bem retratada, principalmente em relação à Joy. Ela teve de voltar pro mundo real, lidar com a raiva pela família dela ter continuado “vivendo” enquanto ela estava presa, além de várias outras coisas.
      🙂

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